Toxicidade aguda em camundongos BALB/c expostos a efluentes de curtume

Dalilla Cristina Socorro de Lemos, Bianca Costa e Silva, Joyce Moreira de Souza, Wellington Alves Mizael da Silva, Dieferson da Costa Estrela, Raissa Ferreira de Oliveira, Abraão Tiago Batista Guimarães, Guilherme Malafaia

Resumo


O processamento da pele bovina constitui uma das atividades industriais que geram resíduos altamente tóxicos, por conterem elevadas concentrações de metais pesados, como cromo, cádmio, níquel e chumbo. Sabe-se que o descarte inadequado desses efluentes no ambiente pode incorrer em consequências danosas aos organismos de magnitude complexa e pouco conhecida. Nesse contexto, objetivou-se com o presente estudo determinar doses potencialmente letais de efluentes de curtume, por meio da indução de toxicidade aguda em camundongos da linhagem BALB/c, acompanhada de uma avaliação de parâmetros físicos (massa corpórea e massa relativa de distintos órgãos), bioquímicos e comportamentais. 24 fêmeas de camundongos BALB/c foram distribuídas em grupos que receberam, pela via intraperitoneal, duas doses fracionadas de efluentes de curtume (wet blue), diluídos em água, que totalizaram as seguintes doses: 11,25%, 22,5% e 45%. O grupo controle recebeu apenas soro fisiológico. Os encontrados neste estudo não apontam para qualquer alteração física na massa corpórea dos animais, tampouco nas massas relativas do fígado, baço, timo e rins. Além disso, nenhuma mudança comportamental pelo screening hipocrático foi observada nos animais, com exceção de um animal do grupo 45% que foi a óbito no 3º dia de avaliação, o que corresponde para essa dose uma concentração de efluente de curtume que mata 16,66% dos animais, não sendo possível calcular a DL50. Em relação aos parâmetros bioquímicos, foi observada uma diminuição nas concentrações séricas da enzima fosfatase alcalina nos animais que receberam efluentes de curtume, em relação ao grupo controle. Logo, conclui-se que efluentes de curtume do tipo wet blue, administrados intraperitonealmente, em fêmeas de camundongos BALB/c não causam sinais evidentes de toxicidade aguda nos animais. A DL16,16 foi obtida apenas para a maior dose de efluente pré-estabelecida (45%).


Palavras-chave


Toxicologia; Modelos experimentais; Curtume; Camundongos

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DOI: http://dx.doi.org/10.33837/msj.v1i3.138

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