INDISCIPLINA NO CONTEXTO ESCOLAR: percepções de profissionais da educação de uma escola da Rede Estadual de Ensino de Goiás

Nilva Cristina de Souza, Christina Vargas Miranda Carvalho, Luciana Aparecida Siqueira Silva

Resumo


A indisciplina é um problema recorrente no processo educacional e que emerge de uma multiplicidade de causas e fatores que se encontram inseridos dentro e fora do contexto escolar. Objetivou-se neste trabalho identificar e analisar as considerações e percepções de um grupo de gestores e professores do Ensino Médio de uma escola pública do interior de Goiás, a respeito da indisciplina e como eles lidam com a mesma. A pesquisa é um estudo de caso com abordagem qualitativa sendo utilizados questionários, entrevistas e gravação de áudio para coleta de dados. Observou-se que os professores participantes são graduados em cursos voltados à formação docente, porém, a maioria atua fora da sua área de formação e possui sobrecarga de trabalho. As situações e comportamentos declarados pelos professores e gestores como indisciplina são caracterizados como indisciplina instrucional. O diálogo e a tentativa de compreender o contexto vivenciado pelo aluno foram as condutas apresentadas no enfrentamento do problema. Para minimizar a indisciplina, ambos os grupos de participantes revelam a necessidade de colaboração e participação dos pais na vida escolar dos seus filhos e melhoria nas relações interpessoais da família. Há concordância entre professores e gestores que consideram o desinteresse como o principal gerador da indisciplina. Desse modo, estratégias diversificadas podem estimular a participação do aluno na aula, minimizando o desinteresse e, consequentemente, a indisciplina. São muitos e diferentes os apontamentos e considerações sobre a indisciplina. Por ser uma situação dinâmica, cabe aos envolvidos com o ambiente escolar serem motivadores das mudanças, partindo a iniciativa na prática de cada docente em sala de aula, contribuindo assim, para a melhoria da qualidade do ensino.

Palavras-chave


Indisciplina; Ambiente escolar; Comportamento; Diálogo; Mudança

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DOI: http://dx.doi.org/10.33837/msj.v2i1.876

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