USO DE PLANTAS DO DOMÍNIO CERRADO COM FINS MEDICINAIS EM URUTAÍ, GO, BRASIL

Vanessa Gonzaga Marcelo, Caroliny Fatima Chaves Paixão, Marcus Vinícius Vieitas Ramos

Resumo


Estudos Etnobotânicos contribuem com informações que auxiliam na definição de práticas de uso e manejo sustentável das espécies vegetais. O objetivo deste trabalho foi levantar o conhecimento e o uso de plantas medicinais nativas do domínio Cerrado pela população de Urutaí, GO. Foram selecionados 100 informantes por meio de amostragens aleatórias, sendo efetuadas entrevistas estruturadas em suas residências. Além de informações sócio-econômicas, os participantes foram questionados sobre o conhecimento e utilização de espécies nativas do domínio Cerrado para cura ou prevenção de doenças. Foi determinada a diversidade do uso pelo índice de Shannon-Wiener e a concordância de uso popular corrigida (CUPc), sendo a última calculada para as plantas medicinais citadas por três ou mais informantes e com valor de concordância quanto ao uso popular (CUP) maior que 20%. Não houve relação do conhecimento de plantas medicinais nativas do cerrado com sexo, idade, escolaridade e procedência (rural ou urbana), de acordo com os testes estatísticos aplicados. Os entrevistados citaram 37 espécies do domínio Cerrado com uso medicinal, sendo estas espécies distribuídas em 26 famílias botânicas. A diversidade do uso das espécies nativas foi baixa (H’= 3,21) quando comparada com outros trabalhos.  A maioria das espécies nativas citadas é de hábito arbóreo e são predominantemente encontradas em formações florestais e savânicas variantes do domínio Cerrado. Entre as espécies estudadas, sucupira e cana-de-macaco se destacaram por apresentarem maiores valores de concordância quanto ao uso fitoterapêutico popular corrigida (CUPc).

Palavras-chave


etnobotânica; espécies nativas; plantas medicinais

Texto completo:

PDF

Referências


Almeida, S. P., Proença, C. E. B., Sano, S. M., & Ribeiro, J. F. (1998). Cerrado: espécies vegetais úteis. Planaltina: Embrapa-CPAC, 464 p.

Amorozo, M. C. M. (1996). A abordagem Etnobotânica na pesquisa de plantas medicinais. In: D-STASI, L. C. Plantas medicinais: arte e ciência, um guia interdisciplinar. São Paulo, Editora da Universidade Estadual Paulista.

Amorozo, M. C. M. (2002). Uso e diversidade de plantas medicinais em Santo Antônio do Leverger, MT, Brasil. Acta Botânica Brasílica, 16(2), 189-203.

Aquino, F. G. et al. (2008). Uso sustentável das plantas nativas do Cerrado: oportunidades e desafios. In: Parron, L. M. et al. (Eds.). Cerrado: desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados. 95-123.

Brito, M. F. M., Lucena, R. F. P., & Cruz, D. D. (2015). Conhecimento Etnobotânico local sobre plantas medicinais: uma avaliação de índices quantitativos. Revista Intercedência, 40(3), 156-164.

Cunha, S. A. & Bortolotto, I. M. (2011). Etnobotânica de plantas medicinais no assentamento Monjolinho, município de Anastácio, Mato Grosso do Sul, Brasil. Acta Botanica Brasilica, 25(3), 685-698.

Farias, R. et al. (2002). Caminhando pelo Cerrado: Plantas herbáceo-arbustivas (caracteres vegetativos e organolépticos). Brasília: UnB.

Gamboa, A. G. (2006). Levantamento Etnobotânico das plantas medicinais utilizadas pela população da região Central da cidade de Anápolis, Goiás. (Trabalho de Conclusão de Curso). Universidade Estadual de Goiás, Anápolis.

Guarim-Neto, G., & Morais, R. G. (2003). Recursos medicinais de espécies do cerrado de Mato Grosso: um estudo bibliográfico. Acta Botânica Brasílica, 17(4), 561-584.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2015. Disponível em: . Acesso em: 08.jul.2015.

Mendonça, R. C. et al. (2008). Flora Vascular Do Bioma Cerrado. In: Sano, M. S, Almeida, S. P. & Ribeiro, J. F. Cerrado: ecologia e flora. Embrapa Cerrados, Brasília. DF: Embrapa Informação Tecnológica.

Morais, I. C., Silva, L. D. G., Ferreira, H. D., Paula, J. R., & Tresvenzol, L. M. F. (2005). Levantamento sobre plantas medicinais comercializadas em Goiânia: abordagem popular (raizeiros) e abordagem cientifica (levantamento bibliográfico). Revista Eletrônica de Farmácia, 2(1), 13-16.

Moura, J. C. (2006). Levantamento Etnobotânico das plantas medicinais utilizadas pela população da região Norte da Cidade de Anápolis, Goiás. (Trabalho de Conclusão de Curso). Universidade Estadual de Goiás, Anápolis.

Nóbrega, J. S., Silva, F. A., Barroso, R. F., Crispim, D. L., & Oliveira, C. J. A. (2017). Avaliação do conhecimento Etnobotânico e popular sobre o uso de plantas medicinais junto a alunos de graduação. Revista Brasileira de Gestão Ambiental (Pombal - PB - Brasil), 11(1), 07-13.

Oliveira, O. F. V., & Gondim, M. J. C. (2013). Plantas medicinais utilizadas pela população de Caldas Novas GO e o conhecimento popular sobre faveira Dimorphandra mollis Benth – Mimosoideae. Revista Brasileira de Agroecologia, 8(1), 156-169.

Organização Mundial de Saúde (OMS). (1993) Unión mundial para la natureleza (UICN), world wildlife fund (WWF). Diretrizes sobre conservación de plantas medicinales. Londres: Media natura. 58p.

Radam Brasil. Levantamento dos recursos naturais. Rio de Janeiro, 1983. (Folha SE 22 Goiânia.

Rizzo, J. Á., Campos, I. F. P., Jaime, M. C., Munhoz, G., & Morgato, W. F. (1995). Utilização de plantas medicinais nas cidades de Goiás e Pirenópolis, Estado de Goiás. Revista Ciências Farmacêuticas, 22(2), 431-447.

Rizzo, J. Á., Monteiro, M. S. R., & Bittencourt, C. (1990). Utilização de plantas medicinais em Goiânia. In: Anais do Congresso Nacional de Botânica. 36, Curitiba (PR). 614-671.

Silva, C. S. P. (2007). As plantas medicinais no município de Ouro Verde de Goiás, GO, Brasil: uma abordagem Etnobotânica. (Dissertação de mestrado). Universidade de Brasília.

Silva, C. S. P., & Proença, C. E. B. (2008). Uso e disponibilidade de recursos medicinais no município de Ouro Verde de Goiás, GO, Brasil. Acta Botânica Brasílica, 22(2), 481-492.

Souza, C. D., & Felfili, J. M. (2006). Uso de plantas medicinais na região de Alto Paraíso de Goiás, GO, Brasil. Acta botânica brasílica, 20(1), 135-142.

Souza, V. A., Lima, D. C. S., & Vale, C. R. (2015). Avaliação do conhecimento Etnobotânico de plantas medicinais pelos alunos de ensino médio da cidade de Inhumas, Goiás. Revista Eletrônica de Educação da Faculdade Araguaia, 8, 13-30.

Tridente, R. D. (2002). O uso de plantas medicinais na cidade de Porangatu, Estado de Goiás. (Dissertação de mestrado) - Universidade Federal de Goiás.

Vila-Verde, G. M., Paula, J. R., & Carneiro, D. M. (2003). Levantamento Etnobotânico das plantas medicinais do cerrado utilizadas pela população de Mossâmedes (GO). Revista Brasileira de Farmacognosia, 13, 64-66.

Zucchi, M. R. et al. (2013). Levantamento Etnobotânico de plantas medicinais na cidade de Ipameri – GO. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, 15(2), 273-279.




DOI: http://dx.doi.org/10.33837/msj.v2i1.958

Apontamentos

  • Não há apontamentos.

Comentários sobre o artigo