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EVENTO

A poesia como devoção: FLIG 2026 homenageia o poeta goiano Gilberto Mendonça Teles

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Com mais de 90 obras publicadas e uma vida dedicada à palavra, o poeta, crítico e professor Gilberto Mendonça Teles é o grande homenageado da II Feira Literária de Goiás, que acontece de 1º a 3 de setembro no Centro Cultural Martim Cererê.

  • Publicado: Sexta, 28 de Agosto de 2026, 16h57
  • Última atualização em Sexta, 28 de Agosto de 2026, 17h10
  • Acessos: 33

Faltam poucos dias para a abertura da II Feira Literária de Goiás (FLIG 2026), que acontece de 1º a 3 de setembro, no Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia. Gratuita e aberta a toda a comunidade, a feira leva o tema "Goiás em palavras: vozes múltiplas e singulares de um Brasil plural" e tem como grande homenageado desta edição um dos maiores nomes da literatura goiana e brasileira: o poeta, crítico e professor Gilberto Mendonça Teles.

Uma vida dedicada à palavra

Gilberto Mendonça Teles encontrou a poesia ainda jovem: em 1955, publicou seu primeiro livro, Alvorada. De lá para cá, construiu uma obra vasta, com 24 livros de poemas, 16 antologias poéticas próprias, 30 livros de ensaios críticos e 23 obras em colaboração, totalizando 93 publicações, além de poemas traduzidos para mais de dez línguas.

Ao longo da carreira, o poeta se consagrou também como um dos maiores críticos brasileiros dedicados a autores como Camões, Machado de Assis e Drummond, sendo referência em universidades da França e da Espanha. Professor emérito da Universidade Federal de Goiás e da PUC-Rio, recebeu o Prêmio Jabuti em 2011, por Linear G, entre dezenas de outras premiações e homenagens acumuladas ao longo de mais de sete décadas de carreira.

O estilo de Gilberto Mendonça Teles é marcado pela busca constante da perfeição formal: um trabalho artesanal com a linguagem, quase obsessivo, em que cada palavra é lapidada até alcançar a forma exata. A partir do livro Arte de armar (1977), essa poesia ganhou um tom mais livre e transgressor, o que o próprio autor batizou de estilo "gilbertino". Já em obras como Saciologia goiana (1980) e Lirismo Rural (ou Sereno do Cerrado) (2017), lançado em edição bilíngue português-inglês, o poeta volta os olhos para sua terra natal, tecendo um verdadeiro canto de amor a Goiás, ao Cerrado e às suas lendas.

Quem estuda Gilberto Mendonça Teles

Poucas pessoas conhecem a obra de Gilberto Mendonça Teles tão de perto quanto a professora-doutora Maria de Fátima Gonçalves Lima. Ensaísta, crítica literária e titular da cadeira nº 5 da Academia Goiana de Letras, ela dedicou o mestrado ao estudo da poética do autor, com a dissertação O signo de Eros na poesia de Gilberto Mendonça Teles, e segue pesquisando sua obra desde então. Em entrevista concedida a esta reportagem, a professora falou sobre a trajetória, o estilo e o legado do poeta homenageado pela FLIG 2026.

Para Maria de Fátima, Gilberto era "um cidadão do mundo, lúcido, amoroso, senhor de si e da arte construtiva de sua poética". Apesar do reconhecimento internacional, com estudos que dialogam com centros de pesquisa da França e da Espanha, e de ser considerado uma das maiores referências brasileiras nos estudos camonianos, muita gente se surpreende ao saber que o crítico se formou e se fez em Goiás. Essa relação entre o poeta e sua terra natal, segundo a professora, está entranhada em sua obra, sobretudo em livros como Saciologia goiana, e é um dos pontos centrais da homenagem que a FLIG presta a ele nesta edição.

A pesquisadora reforça que o que mais define o estilo do autor é a busca permanente pela forma exata: segundo ela, o poeta "seleciona a 'coisa/vida' das palavras, num aprendizado contínuo em busca da perfeição formal". Maria de Fátima lembra ainda que Gilberto "vivia intensamente a literatura, dormia tarde, acordava muito cedo e estava sempre escrevendo o grande livro de sua vida".

Um acervo de mais de 36 mil páginas 

Parte importante do legado de Gilberto Mendonça Teles está hoje sob os cuidados da própria Maria de Fátima Gonçalves Lima. Ela contou à reportagem que, ainda em vida, o poeta pediu que a professora cuidasse de todo o material que reunira ao longo da carreira, pastas de pesquisa, recortes sobre suas obras, entrevistas e estudos originais, quando doou sua biblioteca pessoal à Universidade Federal de Goiás (UFG). Com fomento da FAPEG, esse material foi digitalizado e organizado.

Após o falecimento do escritor, a família pediu que todo o acervo fosse transferido para Goiânia, dando origem ao projeto do Centro de Estudos e Memorial Gilberto Mendonça Teles em Goiás, hoje sob a tutela de Maria de Fátima. O acervo reúne cartas, entrevistas, diários, livros anotados e planos de aula do poeta, além de objetos pessoais como sua máquina de escrever, óculos, canetas e mais de 30 troféus recebidos ao longo da vida, entre eles um Prêmio Jabuti. Ao todo, o material já digitalizado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLETRAS) da PUC Goiás, onde Gilberto lecionava teoria do texto poético, soma cerca de 36 mil páginas.

Hoje, o acervo já é utilizado como fonte de pesquisa por doutorandos e mestrandos do PPGLETRAS e por pesquisadores de outras instituições, como a Universidade Estadual de Goiás (UEG), podendo ser consultado mediante agendamento. Segundo Maria de Fátima, o objetivo agora é encontrar um espaço físico definitivo para o centro de estudos, em parceria com o Governo de Goiás, além de estruturar um museu virtual que amplie o acesso a pesquisadores de todo o mundo.

O homenageado da FLIG 2026

É justamente esse encontro entre obra e memória que a FLIG 2026 celebra ao escolher Gilberto Mendonça Teles como homenageado desta edição. Durante os três dias de feira, o público poderá conhecer mais sobre sua vida e obra no "Cantinho do Autor", espaço dedicado a ele, e acompanhar, logo na abertura da programação, no dia 1º de setembro, das 10h15 às 12h, no Teatro Yguá, a mesa-redonda "Do Sereno ao Alvorecer: A Alvorada Lírica de Gilberto e as Vozes Femininas da Academia", com a própria Maria de Fátima Gonçalves Lima, Ademir Luiz da Silva, Leda Selma de Alencar e Wanice Garcia, com mediação de Denise Dias.

Como resume Maria de Fátima, o legado de Gilberto Mendonça Teles é "riquíssimo" e "necessita de ser visto, estudado e levado ao conhecimento de todos": exatamente o convite que a feira faz ao público neste início de setembro.

Serviço

  • Evento: II FLIG 2026, Feira Literária de Goiás
  • Data: 1º a 3 de setembro de 2026
  • Horário: 9h às 20h
  • Local: Centro Cultural Martim Cererê (Tv. Bezerra de Menezes, St. Sul, Goiânia, GO)
  • Entrada: gratuita
  • Programação completa e inscrições: https://eventos.ifgoiano.edu.br/flig-20260901-1/
  • Contato para a imprensa: flig@ifgoiano.edu.br / 62 3605-3640
  • Instagram: @flig.2026
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