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VIII Integra

Painéis destacam protagonismo feminino na produção do conhecimento

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Publicado: Quarta, 23 de Setembro de 2026, 13h55 | Última atualização em Segunda, 28 de Setembro de 2026, 10h59

Debates realizados nesta terça-feira, 22, aproximaram saberes tradicionais e científicos e evidenciaram trajetórias femininas na educação, na pesquisa, na liderança e na transformação dos territórios.

imagem sem descrição.

Mulheres quilombolas, pesquisadoras, professoras e gestoras compartilharam experiências, conhecimentos e desafios durante os painéis realizados nesta terça-feira, 22, no VIII Integra IF Goiano, no Campus Campos Belos. As atividades colocaram em evidência diferentes formas de produção do conhecimento e, sobretudo, a potencialidade da presença feminina na ciência, nas comunidades, na academia e nos espaços de liderança.

Os debates deram concretude ao tema desta edição — “Ensino, Pesquisa, Extensão e Território: O Protagonismo Feminino na Transformação Social” — ao reunir mulheres com diferentes trajetórias e experiências. Para além da representatividade dentro da própria Instituição, os painéis evidenciaram a importância da ocupação igualitária dos espaços pelas mulheres e de condições que possibilitem sua participação efetiva na produção científica, nas decisões e na construção de soluções para a sociedade.

O primeiro painel, Ciência no Território: Saberes, Identidade e Protagonismo Feminino, foi mediado pela professora do Campus Campos Belos Maria Otávia Battaglin Loureiro e contou com a participação da líder cultural e guardiã dos saberes tradicionais da comunidade quilombola Kalunga do Vão de Almas, Dona Fiota (Deuzami Francisco da Conceição); da doutoranda em Linguística pela Universidade de Brasília (UnB) Bia Kalunga (Lourdes Fernandes de Souza); e da mestra em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais Celuta Santos Rosa Moreira, nascida na comunidade Kalunga Fazenda Tinguizal.

As convidadas discutiram a construção da ciência a partir do território, a valorização dos saberes tradicionais, a formação acadêmica e o protagonismo das mulheres negras na produção e difusão do conhecimento.

Dona Fiota trouxe para o debate a experiência de quem construiu seus conhecimentos a partir da vida e da relação com o território. Ao falar sobre a forma como sua comunidade se relaciona com a terra e preserva seus saberes, defendeu a importância de que estudantes quilombolas que ingressam na educação formal mantenham os vínculos com suas comunidades e contribuam para fortalecer os conhecimentos construídos ao longo de gerações. “Porque ter criança na roça é saudável, eu queria ter esse regastamento", explicou.

Bia Kalunga e Celuta Santos abordaram a importância da educação escolar e da formação acadêmica para suas comunidades e compartilharam experiências de enfrentamento ao preconceito durante suas trajetórias universitárias. “Tenho que honrar a luta da minha avó que mesmo sem saber escrever e ler, sempre buscou fazer o bem viver e o melhor para o nosso povo”, relatou Bia ao falar sobre a motivação para seguir adiante nos momentos difíceis. Segundo ela, esses enfrentamentos também contribuíram para que a comunidade se reconhecesse, conquistasse voz e fortalecesse seus conhecimentos tradicionais.

Para Celuta, a trajetória até a universidade foi marcada ainda por experiências de abuso e desemprego. Foi por meio da educação formal, no entanto, que encontrou possibilidades de transformar sua realidade sem se afastar de suas origens e de contribuir com o próprio território. ”Não podemos ignorar o conhecimento científico, temos que agrega-lo aos saberes tradicionais, eles tem que andar juntos”, concluiu.

O segundo painel, Mulheres na Ciência: Produtividade, Liderança e Transformação de Espaços, direcionou o debate para os desafios e as estratégias relacionados à construção da carreira científica, à produtividade acadêmica, à ocupação de posições de liderança e à transformação dos ambientes institucionais pelas mulheres.

O momento reuniu a reitora do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), Paula Karini Amorim, responsável pela mediação; a professora da Universidade de Aveiro, em Portugal, Marta Monteiro; a diretora de Pesquisa e Pós-Graduação do Campus Rio Verde, Suzana Marcionílio; a diretora executiva da Fundação de Apoio à Pesquisa da Universidade Federal de Goiás (Funape/UFG), Flávia Aparecida de Oliveira; e a professora da UFG, Daniela Melo.

As participantes compartilharam histórias pessoais e profissionais e refletiram sobre os caminhos percorridos para ocupar os espaços em que hoje atuam. As experiências apresentadas mostraram que a presença feminina na ciência não se encerra no acesso à formação acadêmica, mas envolve também a possibilidade de construir carreiras, estabelecer redes de apoio, assumir posições de liderança e participar das decisões nos ambientes científicos e institucionais.

Representando o IF Goiano no painel, Suzana Marcionílio recuperou momentos de sua trajetória em que a parceria com outras mulheres foi determinante para superar desafios e ampliar espaços de atuação. Um desses marcos ocorreu na pós-graduação, quando ela e a pesquisadora Fernanda dos Santos Farnese estiveram, durante quatro anos, à frente da gestão do Programa de Pós-Graduação em Agroquímica.

“E talvez uma das coisas mais bonitas dessa história seja justamente aquilo que aconteceu depois, pois o programa passou a ser conduzido por mais uma dupla feminina: Polyana Fernandes Pereira e Mariana Egea, que seguem realizando esse trabalho com muito êxito”, contou. Para Suzana, quando mulheres sucedem outras mulheres em espaços de liderança científica, uma das principais mensagens construídas é a de que os espaços institucionais também pertencem às mulheres.

Ao aproximar experiências construídas nas comunidades tradicionais, nas universidades, nos laboratórios e nos espaços de gestão, os dois painéis reforçaram uma perspectiva comum: reconhecer o protagonismo feminino significa ir além de dar visibilidade às mulheres. Significa reconhecer seus conhecimentos, ampliar oportunidades e fortalecer condições para que possam ocupar, em igualdade, espaços de produção do conhecimento, liderança e transformação social.

Nesta quarta-feira, 23, o VIII Integra IF Goiano segue com a realização da Vitrine Tecnológica e a premiação dos trabalhos apresentados durante o evento.

 

Diretoria de Comunicação Social 

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